O objetivo deste artigo é explorar as experiências, percepções e expectativas das partes interessadas no desenvolvimento da economia brasileira de hidrogênio. Este é um insumo essencial para definir políticas e estratégias públicas eficientes e convencer as partes interessadas a investir no valor da cadeia do hidrogênio. Para compreender a visão dos principais atores da economia brasileira do hidrogênio, foi realizada uma análise bibliográfica e documental, complementada por entrevistas e questionários com 32 especialistas de cinco categorias (empresas, entidades governamentais, centros de pesquisa, associações e universidades) foram realizados. Os resultados mostraram que, na visão de longo prazo, os entrevistados destacaram a descarbonização como uma vantagem estratégica fundamental para o desenvolvimento da economia do hidrogênio no Brasil. Os entrevistados afirmaram que, como o Brasil já possui uma alta participação de energia renovável em sua matriz elétrica e potenciais acréscimos de capacidade de energia renovável, a produção de hidrogênio verde competitivo e de baixo custo é possível. Por outro lado, o potencial de produção de hidrogênio de baixo carbono a partir de combustíveis fósseis combinados com captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) ainda é uma tecnologia limitada no país. No entanto, o Brasil precisa enfrentar desafios como expansão, redução de custos e adoção e crescimento sustentável de tecnologias baseadas em hidrogênio. A maioria dos entrevistados previu que uma economia brasileira de hidrogênio bem estabelecida se tornaria uma realidade a médio prazo (entre 6 e 10 anos). As oportunidades para o hidrogênio verde foram destacadas nos setores de cimento, mobilidade e fertilizantes. Contudo, pode-se observar uma forte diferença entre as diferentes categorias sobre a maturidade do hidrogênio no contexto nacional. Enquanto as entidades governamentais acreditam no médio prazo (6 a 10 anos), as empresas preveem que a maturidade técnica e econômica será alcançada no longo prazo (mais de 11 anos). Além disso, foram identificadas barreiras econômicas, técnicas, normativas e sociais. Os resultados mostram que o governo brasileiro precisa criar uma estrutura política de longo prazo que possa aumentar a confiança no investimento privado, criar demanda de mercado com intervenções políticas, desenvolver padrões e regulamentos para remover obstáculos ao crescimento do mercado e fornecer suporte aprimorado à P&D. Se as iniciativas atuais são impulsionadas pela interação com players estrangeiros, recomenda-se um programa centrado na sinergia com a matriz energética brasileira e no planejamento da economia de longo prazo. Em termos de P&D, a criação de um programa de financiamento específico pode ser considerada uma forte ferramenta para aproximar eficiente e rapidamente a indústria da academia por meio do desenvolvimento de soluções ad hoc para desenvolver o mercado de commodities de hidrogênio.

Sustainable Production and Consumption, Vol. 34

Caroline Chantre, Sayonara Andrade Eliziário, Florian Pradelle, Ana Carolina Católico, Adely Maria Branquinho Das Dores, Eduardo Torres Serra, Rodrigo Campello Tucunduva, Vinicius Botelho Pimenta Cantarino, Sergio Leal Braga

Link de acesso:

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2352550922002342?via%3Dihub

 

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