No que se refere aos trabalhos divulgados no segundo período de maio de 2022, selecionamos e acrescentamos agora ao nosso acervo digital 26 novas publicações, sendo 8 trabalhos na categoria Agências, 5 artigos de Consultorias e 8 novas publicações na categoria Artigos Autorais. Quanto aos Artigos Acadêmicos, agregamos 5 novos trabalhos.

Nesta edição, estamos dando enfoque especial às publicações que abordam o dilema entre transição energética e segurança energética. De fato, temos constatado que esse tema vem ganhando importância não apenas por conta da Guerra Rússia-Ucrânia e dos gargalos vistos nas cadeias globais de suprimento após a pandemia, mas também em função do redesenho inevitável dessas cadeias num novo cenário de crescimento significativo da demanda por novos insumos e minerais críticos associados à transição energética. Estamos trazendo cinco artigos que abordam essa temática.

Dentre as principais fontes e autores dos textos selecionados no período, recolhemos, para a categoria Agências, novos estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês) e da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA, sigla em inglês).

Para a categoria de Artigos Autorais, estamos trazendo textos de Duque Dutra (UFRJ), de Mario Monzoni e Fernanda Carreira (Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP), de Eduardo Jordão, Natasha Salinas, Patrícia Sampaio e Beatriz Scamilla (FGV Direito Rio), de Felipe Tavares (IBP) e Luis Eduardo Esteves (ANP), entre outros. Trazemos, também, artigos com entrevistas de especialistas do setor. O primeiro, de Pedro Aurélio Teixeira (CanalEnergia) traz Carlos Faria (presidente da Anace), Marcos Madureira (presidente da Abradee), Claudio Sales (presidente do Instituto Acende Brasil) e Edvaldo Santana (ex-diretor da ANEEL e atual diretor da NEAL) para comentarem o crescimento recente de um importante encargo do setor elétrico brasileiro: a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). A segunda reportagem especial, de Theo De Souza (Brasil Energia), traz Rodrigo Ferreira (presidente da Abraceel), Marcelo Loureiro (conselheiro da CCEE) e Marco Aurélio Madureira (presidente da Abradee), que apontam as principais mudanças que deverão ocorrer a partir da provável aprovação do PL 414, que trata da figura do comercializador varejista.

Para a categoria Artigos Acadêmicos recolhemos novas publicações das revistas Nature Climate Change, Environmental Research Letters, Renewable and Sustainable Energy Reviews e Energy Science & Engineering.

Da totalidade de trabalhos selecionados, decidiu-se por dar destaque principal a quatro publicações, duas da categoria Agências, uma da categoria Artigos Autorais e outra da categoria Artigos Acadêmicos.

O primeiro destaque é o Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2021, publicado pela EPE. O Balanço Energético Nacional (BEN) é um relatório anual de grande importância, pois contabiliza e consolida os principais dados energéticos do Brasil. Já o Relatório Síntese é publicado no primeiro semestre posterior ao ano base do BEN, antecipando as principais informações que estarão consolidadas no Balanço. São dispostos dados da contabilização da oferta total e por fontes, transformação e consumo final de produtos energéticos no país em 2021. Também há dados sobre emissões na produção e consumo de energia. Diferente de 2020, ano no qual a oferta e o consumo de energia e eletricidade caíram devido a pandemia da covid-19, em 2021 houve um crescimento de 4,5% da oferta de energia, de 3,9% da oferta de eletricidade e o consumo acompanhou essa tendência de crescimento. Destaca-se também o recuo da geração hidráulica em ano de crise hídrica. Pela mesma razão a geração à base de gás natural aumentou e a participação das renováveis na matriz elétrica caiu de 84,8% para 78,1%. Apesar disso, a geração eólica cresceu 26,7% e a solar avançou 55,9% ante o ano anterior.

A segunda publicação especialmente recomendada intitula-se Minerais críticos ameaçam uma tendência de décadas de declínio de custos para tecnologias de energia limpa (tradução livre), produzida pela IEA. O artigo é muito relevante porque mostra que o aumento significativo e generalizado dos preços de algumas matérias-primas desde 2020 já está trazendo grandes incertezas para a segurança energética e ameaçando o ritmo da transição energética. Com efeito, o autor aponta que o encarecimento de insumos críticos ocorre desde 2020 e já coloca em risco a tendência vista nas últimas décadas de redução de custos das principais tecnologias de energia limpa (como a solar fotovoltaica e baterias). Além do rápido crescimento da demanda por alguns insumos, estão na origem dessa forte subida de preços a situação geopolítica mundial (com a guerra entre Rússia e Ucrânia) e os gargalos existentes nas cadeias de suprimentos de vários metais e minerais críticos para a transição energética, fato que desperta a preocupação das autoridades também por conta da segurança energética.

A terceira publicação recomendada como destaque geral é a reportagem especial CDE: explosão de custos em 20 anos, de Pedro Aurélio Teixeira (CanalEnergia). Trata-se de um artigo muito pertinente, já que convida especialistas para discutir a tendência de crescimento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Carlos Faria (presidente da Anace), Marcos Madureira (presidente da Abradee), Claudio Sales (presidente do Instituto Acende Brasil) e Edvaldo Santana (ex-diretor da ANEEL e atual diretor da NEAL)  são alguns dos especialistas ouvidos. Eles enfatizam o alto valor do encargo, a falta de transparência quanto aos benefícios originados pelos diversos subsídios contidos na CDE e as consequências para os consumidores da rápida e contínua expansão desses subsídios. Segundo o exposto, o orçamento da CDE atingiu um valor recorde de R$ 32 bilhões em 2022, o que representa uma alta de 34% ante 2021 e que trará um impacto médio de 3,39% nas tarifas dos consumidores.

Por fim, recomendamos o artigo acadêmico A extração de combustível fóssil existente aqueceria o mundo além de 1,5 ºC (tradução livre). Trata-se de um estudo muito importante, como sugere o alerta contido no título. Ele revela que os campos de produção de petróleo, gás e carvão já existentes deverão emitir nada menos do que 936 Gt adicionais de CO2 ao longo da vida útil. Assim sendo, para que o mundo tenha 50% de chance de não ultrapassar o aumento de 1,5 ºC da temperatura global estabelecido no Acordo de Paris, os pesquisadores calcularam que 40% desses campos de produção de energia fóssil devem ser fechados antecipadamente. A avaliação, portanto, vai além do apelo já feito pela IEA em 2021, que recomendou interromper todo o desenvolvimento de novos projetos de produção de combustíveis fósseis. Outra conclusão muito preocupante da pesquisa é que as novas tecnologias não serão capazes de remover enormes quantidades de CO2 da atmosfera para compensar essa enorme queima de carvão, petróleo e gás.