Os autores partem inicialmente da constatação de que, no cenário de transição energética, o biometano e o hidrogênio sustentável assumem papéis fundamentais no Brasil. Isso posto, o artigo discute a necessidade de estimular a integração e distribuição desses energéticos ao mercado de gás natural nacional. Para que essa integração ocorra, porém, o artigo ressalta que seria preciso superar barreiras regulatórias e tecnológicas através de soluções que permitam a produção e transporte em escala destes combustíveis. Uma estratégia seria misturar gradualmente o biometano, o hidrogênio verde e o gás sintético renovável nas redes de gás natural existentes. Outra seria o desenvolvimento de redes de dutos dedicados a novas fontes de combustíveis, como o hidrogênio puro. Essas opções apontam, portanto, que a transição energética na indústria de gás natural exigirá a adaptação da rede de gás existente simultaneamente ao desenvolvimento de nova infraestrutura para transporte de hidrogênio puro. Quanto aos desafios para a integração das redes, o artigo destaca que é preciso evitar o surgimento de ativos irrecuperáveis (stranded assets) em função de uma fragmentação do mercado. Para tanto, os autores defendem o envolvimento do setor de dutos com as demais partes interessadas para desenvolver as inovações regulatórias e tecnológicas necessárias Um dos passos necessários seria criar um sistema de identificação e certificação de origem dos diferentes tipos de gás injetados na rede para garantir que o biometano e o hidrogênio possam ser rastreados desde a produção e/ou importação até o consumo. Outro obstáculo importante a ser superado, segundo os autores, seria a necessidade de novas normas técnicas referentes às misturas hidrogênio-metano, bem como a revisão das normas técnicas das aplicações de uso final. Por fim,  os autores apontam também as interessantes oportunidades de interiorização do gás através de redes estruturantes supridas por um gás renovável produzido localmente e projetos de suprimento por GNL de pequena escala.

Ensaio Energético – Giovane Rosa (CEO da Gás Orgânico) e Edmar de Almeida (professor do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisador do Instituto de Energia (IEPUC))

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https://ensaioenergetico.com.br/as-redes-de-gas-e-a-transicao-energetica-o-que-esperar-para-o-futuro/

 

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