O artigo explora alguns dos desafios que a futura presidência e diretoria da Petrobras irão encontrar, sendo destacados três aspectos: a política de distribuição de lucros e dividendos, o plano de investimentos da empresa e a mudança da política de paridade de importação (PPI). O texto mostra como esses temas estão ligados e como podem ser resolvidos para atender ao propósito de recolocação estratégica de uma petroleira nos anos 2020. Em relação ao primeiro aspecto, o autor destaca que em 2021 e 2022 a Petrobras pagou 308,3 bilhões de reais em dividendos, soma maior que o lucro da empresa no período, 206 bilhões de reais. Ele explica como foi possível chegar a este valor absurdo, enfatizando que o governo Bolsonaro promoveu três mexidas na forma de distribuição de dividendos que não foram aprovadas pela assembleia de acionistas. Logicamente, essa distribuição impacta a política de investimentos da empresa. Destaca-se que a Petrobras é a empresa responsável pela maior fatia de FBKF do país e viu sua taxa de investimento cair para menos de 20%, de 43 bi de reais em 2011 para somente 8,7 bi em 2021. E isso levará a um encolhimento do portfólio da empresa e irá deteriorar os resultados de longo prazo. Por fim, em relação ao terceiro aspecto, ele afirma que é provável que o objetivo de Lula seja transformar a PPI em PPE (política de paridade de exportação) e, para isso, é preciso elevar a taxa de investimento. E se isso não for feito via redução da parcela de lucros e dividendos distribuída, será feito via aumento do endividamento, o que contraria os atuais critérios usados pela empresa. 

Brasil Energia – Osmani Pontes (Graduado em Ciências Econômicas pelo IE/UFRJ, especialista em mercados de derivativos, opções e futuros pelo INSPER e em gestão de portfólios cambiais pela EPGE/FGV

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