O artigo chama a atenção para uma questão fundamental: o delicado equilíbrio entre a alocação da água para geração de energia elétrica e para outros usos. Para os autores, o fundamental nesse debate é que a gestão do uso múltiplo das águas deixe de ser pautada apenas por ações conjunturais (tomadas apenas nos contextos de escassez crítica de recursos) e passe a ter um caráter estrutural, envolvendo toda a cadeia de gestão dos setores elétrico e de recursos hídricos, abrangendo desde o planejamento até o dia a dia da operação. Nesse contexto, joga-se luz numa importante e preocupante tendência: o uso da água para irrigação, cuja proporção tende a aumentar bastante no longo prazo, principalmente na bacia do rio São Francisco. De fato, um dos estudos citados pelos autores conclui que a limitação para o desenvolvimento da agricultura irrigada na Região Nordeste poderá ser a disponibilidade de água, uma vez que terras aptas existirão. Portanto, evidencia-se a necessidade de inserir essa questão no processo de planejamento, visto que, para a irrigação, não existe substituto para a água, enquanto para a geração eletricidade a cada dia surgem novas alternativas.

Canal Energia – Pedro Melo, Roberto Gomes, Leonardo Lins, Sérgio Balaban, José Altino, Iony Patriota (Grupo de Pesquisa em Gestão Integrada do São Francisco – GISF)

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