Esse excelente artigo discute a importância da reformatação das relações entre os setores público e privado para a efetividade das grandes e necessárias transformações dos sistemas de energia na atualidade. Em termos gerais (e em linha com o que se observa em outras áreas de ação das políticas públicas), aponta-se que será essencial um novo papel de orquestração do Estado para o enfrentamento dos enormes desafios da transição energética e da construção de sistemas energéticos mais resilientes e sustentáveis. A fim de definir o novo papel do Estado e suas relações com o mercado, a PwC acredita que existem três modelos: o do Estado condutor de política, o do investidor de infraestrutura estratégica e, por fim, o do Estado co-investidor. Dentre estes, a PwC aponta que o modelo do Estado condutor de políticas (que é o modelo em voga na maioria dos países da OCDE) é o que apresenta nível mais baixo de efetividade e o modelo do Estado co-investidor, o de maior eficácia na transição. Neste último, o Estado se torna um “co-criador” de valor, expressão que os autores atribuem à economista Mariana Mazzucato, cuja apresentação do seu último livro foi destacada pelo Panorama. Com efeito, ao liderar a elaboração de uma estratégia de ação com grande envolvimento do setor privado, o Estado deixa de ser um mero fornecedor de incentivos, deixa de atuar como mero “líder de torcida” e passa a ser mais decisivo na criação de novos mercados. Orquestrando os resultados desejados e estando permanentemente envolvido com o setor privado numa rede colaborativa de agentes, o Estado fornece não apenas incentivos, mas confiança. Assim, é possível atrair mais investimentos e isso permite que os interesses privados caminhem mais próximos do interesse público, de modo a gerar maior valor social e efetividade na transição. 

PwC – Paul Nillesen, Raed Kombargi, Mark Coughlin

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