Em seu artigo, Edvaldo Santana refuta a visão hegemônica de que o setor elétrico brasileiro evoluiu para melhor. Para ele, no auge da crise energética de 2001, o setor era inseguro e barato e agora, 20 anos depois, ele perdeu robustez e ficou muito mais caro. Afirma-se que em 2001, apesar da excessiva subordinação às hidrelétricas (90% da oferta da energia), os reservatórios garantiam a energia para vinte meses. Após o racionamento, o Brasil, sabiamente, diversificou a matriz elétrica com fontes renováveis. Nesse contexto, Santana aponta que a proporção da energia armazenada em relação ao consumo foi amplamente reduzida, entretanto, a oferta continuou muito dependente das hidrelétricas, cuja garantia física corresponde a 81% da carga, uma impossibilidade. Assim, afirma que o esforço para modificar a matriz desprezou o lado virtuoso da capacidade de regularização dos reservatórios e não buscou termelétricas a preços competitivos, levando a perda de robustez do setor. O ex-diretor da ANEEL ainda discorre sobre a alta da tarifa média de energia da classe residencial desde 2001 e sobre as perspectivas de maior aumento, decorrentes do maior acionamento de termelétricas e do fator de ajuste da geração das hidrelétricas, o GSF. 

Valor Econômico – Edvaldo Santana (ex-diretor da ANEEL)

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https://valor.globo.com/opiniao/coluna/setor-eletrico-muito-mais-caro.ghtml