Usando uma linguagem clara e apoiando-se em muitos dados apresentados no texto, Paula Kovarsky discute a necessidade de valorizar as vantagens competitivas do etanol no Brasil e levanta o debate sobre os biocombustíveis e a competição com alimentos, que muito se discute em âmbito internacional. A discussão está relacionada a qual deveria ser o uso mais adequado da terra, considerando que o crescimento da produção de biocombustíveis impacta negativamente na capacidade global de atender à crescente demanda por alimentos. Diante desse problema inicial, Kovarsky analisa as 1ª e 2ª gerações de biocombustíveis e destaca as vantagens da cana-de-açúcar como matéria prima para produção de biocombustíveis no país. Segundo ela, o etanol de cana-de-açúcar é muito eficiente, tem produção rastreável, baixa pegada de carbono e seu possível impacto na cadeia de alimentos é pouco relevante. Além disso, os resíduos gerados no seu processo produtivo possibilitam dobrar a produção em bases energéticas ao somarmos cogeração de energia elétrica, E2G, biogás e outros possíveis aproveitamentos na medida que avançam tecnologias como biobunker e SAF. A autora conclui que deveríamos separar a cana dos grãos quando se analisa os diferentes biocombustíveis e que deveríamos valorizar as vantagens competitivas do nosso etanol e fortalecer esse biocombustível como ferramenta de segurança energética em meio ao conturbado cenário internacional. 

Brasil Energia – Paula Kovarsky (VP de Estratégia e Sustentabilidade na Raízen)

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https://editorabrasilenergia.com.br/separando-o-joio-do-trigo-ou-a-cana-dos-graos/