Neste artigo, Simon Mundy, do Financial Times, critica discursos relacionados às pegadas pessoais de carbono, cujo objetivo principal, segundo cita o autor, seria o de “transferir a responsabilidade das corporações para os indivíduos”. Ao citar o cientista climático americano Michael E. Mann, o autor explicita que o foco dado a iniciativas climáticas voluntárias pode distrair do que é de fato necessário, minando o esforço por novas regulamentações e políticas de Estado, desde a precificação adequada do carbono como restrições mais duras às emissões industriais, o que poderia fazer a verdadeira diferença. Segundo o exposto, a preocupação com ações individuais está levando a discussão sobre o clima para direções preocupantes, como por exemplo, a ansiedade climática que leva jovens a nível mundial a hesitar em ter filhos, o que reflete a popularidade do argumento de que “aqueles que se preocupam com o planeta deveriam evitar a procriação”. Destaca-se também o uso de iniciativas voluntárias pelas empresas para reduzir a pressão por ações governamentais ambiciosas que possam ameaçar os seus lucros no curto prazo. O autor finaliza, destacando que não há nada de errado com as tentativas voluntárias de reduzir as emissões, mas sim com uma agenda que se utiliza exaustivamente desse discurso  individualizante para desviar o foco da necessária adoção de medidas políticas mais sérias para enfrentar a crise climática.

Valor Econômico – Simon Mundy (editor do newsletter Moral Money, do Financial Times).

Link de acesso:

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/pegadas-de-carbono-na-direcao-errada.ghtml

 

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