O artigo discute o potencial inexplorado da captura de carbono para o agronegócio brasileiro. Primeiro, os autores mostram os dois tipos básicos de soluções tecnológicas para a captura de carbono: a primeira é baseada na natureza (nature-based, NBS) enquanto a segunda seria o CCS (carbon capture and storage), que consiste num processo de separação e armazenamento do CO2 dos gases gerados em grandes fontes estacionárias. A partir da apresentação dessas soluções, os autores mostram, então, que, combinados à produção de bioenergia, aquelas soluções tecnológicas formam o modelo de BECCS (bioenergy with carbon capture and storage), e que este modelo traz oportunidades únicas de captura e armazenamento de CO2 para o agronegócio brasileiro. Com efeito, mostra-se que, a rigor, a produção do bioetanol (de cana-de-açúcar ou de milho) já é uma solução NBS “neutra” no que tange às emissões de CO2. Como o bioetanol substitui perfeitamente a gasolina nos veículos com tecnologia flex do Brasil, então, na prática, o agronegócio energético gera um processo de descarbonização efetivo, tecnologicamente comprovado e economicamente viável. A ligação da tecnologia BECCS com o agronegócio alcooleiro é explicitada como uma das estratégias mais baratas de descarbonização para o país e que um grupo de especialistas já tem trabalhado com o MME para que o país tenha um primeiro marco legal para essas atividades. Os autores ainda citam alguns projetos BECCS em andamento nos EUA e mostram que já existe um projeto no Brasil para produzir o primeiro combustível com pegada negativa de carbono.

Valor Econômico – Júlio Romano Meneghini (professor da Escola Politécnica da USP e Diretor Geral do Research Center for Greenhouse Gas Innovation – RCGI); Edmilson Moutinho dos Santos (professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP e Coordenador do Programa de Advocacy do RCGI)

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https://valor.globo.com/opiniao/coluna/o-potencial-inexplorado-de-captura-de-carbono.ghtmll