Nessa reportagem especial, Jamil Chade traz um compilado das principais decisões tomadas na COP 26 e mostra que o acordo final levanta dúvidas importantes sobre seu real impacto na proteção do meio ambiente. Chade aponta que um dos pontos principais dessa COP foi o compromisso de governos de reduzir emissões de CO2 até 2030 e buscar a neutralidade até 2050. Entretanto, afirma que as promessas associadas ainda são vagas e de fiscalização frágil. Até mesmo o Compromisso Global sobre Metano, firmado por 96 países, inclusive o Brasil, visando reduzir em 30% as taxas de emissões globais até 2030, não apresenta mecanismos claros de controle e não tem força legal. Destaca-se também a inclusão, pela primeira vez na história, de um texto oficial sobre a necessidade de se colocar fim à era de energias fósseis. No entanto, o documento não define prazos, metas ou mecanismos, e sequer menciona os subsídios trilionários ao setor. Chade mostra ainda que outros avanços foram o acordo que estabeleceu as regras do mercado de crédito de carbono e o compromisso para lutar contra o desmatamento das florestas até 2030. O Brasil aderiu à iniciativa, mas a meta de acabar com o desmatamento ilegal em 2028 convenceu pouca gente. Em relação à justiça climática, muito se discutiu e pouco se obteve. Ao final, destaca-se que a abalada credibilidade do governo federal fez acontecer um movimento inédito: o contato direto entre atores da sociedade brasileira, sobretudo governadores, com interlocutores estrangeiros, em especial financiadores.

Uol Notícias  – Jamil Chade (colunista do Uol Notícias)

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