O artigo propõe uma reflexão crítica para que o princípio ESG (Environmental, Social and Governance) seja uma realidade capaz de endereçar os desafios socioambientais dos nossos tempos. Inicialmente, os autores resgatam o início das discussões em torno do tema para afirmar que o ESG nasceu em discussões no setor financeiro no século XX, mas não apartado do que ocorria na agenda internacional de organismos multilaterais, academia e setor empresarial. No entanto, nos últimos anos, o termo foi refundado e parece que vem sendo usado apenas para as empresas demonstrarem engajamento em questões socioambientais em seus relatórios. Nesse contexto, afirma-se que ainda estamos na fase de expansão das consciências sobre os desafios globais da sustentabilidade. E que para alcançar as próximas fases, ou seja, incorporar de fato o princípio ESG na estratégia empresarial, é necessário mudar o paradigma e a lógica de se fazer negócios, o que contempla, ao menos quatro aspectos: (1) olhar para a economia a partir da perspectiva da Economia Ecológica; (2) engajamento com as questões sociais urgentes; (3) questionar a expansão do consumo e do crescimento econômico como sinônimos de desenvolvimento; e, (4) explorar alternativas sistêmicas para a sociedade, como o decrescimento, bem viver, ecofeminismo, desglobalização, direitos da Mãe Terra.

Valor Econômico – Mario Monzoni e Fernanda Carreira são, respectivamente, coordenador e pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP (FGVces).

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https://valor.globo.com/opiniao/coluna/o-metaverso-do-esg.ghtml