O ex-diretor da ANEEL, Edvaldo Santana, critica nesse artigo o modelo matemático de despacho das usinas, destacando os constantes erros no cálculo do preço spot e as possíveis causas da não reavaliação da premissa usada no modelo. Aponta-se que, em agosto de 2021, o preço spot, ou o custo do último recurso acionado para atender à demanda, chegou a R$ 3.000/MWh. Desde então, apesar do agravamento da escassez, tal preço tem decrescido, ficando abaixo de R$ 534/MWh entre 25/09 e 01/10. Edvaldo afirma que, se o governo acreditasse em seus cálculos, todas as termelétricas com custo inferior a R$ 534/MWh deveriam ser desligadas, o que causaria um apagão de proporções inéditas. A partir desse ponto, ele explica o que está por trás desse erro: entre os meses de outubro e novembro, quando começa o período de chuvas, o algoritmo indica a redução dos custos de geração porque há nele uma premissa de regressão à média de chuvas considerando um longo histórico, o que abre espaço para o despacho de energia hídrica. Para Edvaldo, essa premissa é totalmente falha, pois não se pode confiar na perspectiva de chuva, ainda mais considerando as mudanças climáticas. Mas se o erro é tão evidente, por que não é corrigido? As duas explicações mais relevantes apontadas se baseiam na chamada dependência da trajetória e na acomodação do setor.

Valor Econômico – Edvaldo Santana (ex-diretor da Aneel)

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https://valor.globo.com/opiniao/coluna/o-jogo-de-dados-do-setor-eletrico.ghtml