Roberto D’Araújo critica o argumento que caracteriza a atual crise hídrica como uma tragédia inédita, onde o culpado é São Pedro. Para ele, esse argumento dissimula a falta de investimento e problemas de planejamento. No que se refere ao problema do curto prazo, ele aponta várias razões que geram o esvaziamento dos reservatórios, sendo apenas uma delas culpa da natureza: as afluências são menores do que a água usada para gerar energia. Segundo D’Araújo, faltam outras usinas, mesmo sem reservatório. Além disso, os gargalos de transmissão impedem transferências de energia entre regiões e parte significativa da “oferta” de energia é tão cara que a lógica de operação adia seu uso, fazendo as hidráulicas gerarem mais, o que reduz o estoque dos reservatórios. Sobre os problemas do planejamento, o autor compara as projeções contidas no Plano Decenal de 2011 com a situação atual e a realidade de outros países para mostrar que os instrumentos de planejamento trouxeram menos renováveis que poderiam e mais térmicas do que o previsto. O autor defende uma ampla revisão do modelo atual e do processo de planejamento, bem como o fortalecimento da Eletrobrás, que deve ser guiada pelo interesse público.

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http://www.ilumina.org.br/negacionismo-no-setor-eletrico/