Para o cientista político José Luís Fiori, o desencanto ou sensação de fracasso da COP 26 não tem tanto a ver com seus acordos e compromissos técnicos, mas sim, com a falta de “densidade política” de uma conferência que foi esvaziada e não contou com nenhuma liderança capaz de se sobrepor à fragmentação e à hostilidade existentes no Sistema Internacional. O autor explica didaticamente quais são os principais conflitos que envolvem as principais nações e como eles abalam as relações entre os principais líderes mundiais, discutindo também a conjuntura interna de alguns atores-chave (União Europeia, EUA, China, Rússia, Alemanha, França e Inglaterra) e as repercussões de todos esses fatores no Sistema Internacional. Em resumo, o autor argumenta que o mundo está inteiramente fragmentado, tensionado e sem liderança. E sem uma liderança forte e convergente não será possível mover um mundo tão desigual em uma mesma direção política coletiva, que é a complexa transição energética e econômica. Para o autor, a tensão e hostilidade apontadas ao longo do artigo caracterizam a Conferência de Glasgow como um momento paradoxal, de grande consenso, e ao mesmo tempo, de grande frustração.

A terra é redonda  – José Luís Fiori (professor da UFRJ)

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