O artigo discute um problema que está assolando o setor elétrico brasileiro: os reservatórios das grandes usinas, que mesmo com a atividade econômica praticamente estagnada e a demanda de energia sem grandes aumentos nos últimos anos, estão em baixa e não enchem mais como antes. Afirma-se que a mudança climática é a principal suspeita desse problema. Discute-se também os aumentos constantes nas tarifas de energia elétrica, sendo apontadas soluções diferentes por dois entrevistados. Para Adriano Pires, diretor do CBIE, é necessário contratar termelétricas movidas a gás natural (menos caras e menos poluentes que opções como óleo combustível e carvão mineral) para operar “na base” do sistema, ou seja, de forma praticamente ininterrupta. Já para Luiz Eduardo Barata, ex-diretor-geral do ONS, o caminho é apostar em um programa intensivo de fontes renováveis, com parques eólicos e solares, que podem representar até 50% da matriz elétrica. Barata ainda afirma que devido à intermitência dessas fontes, o complemento das térmicas a gás é necessário, mas não para operar na base. Na visão de Barata, as hidrelétricas deveriam funcionar cada vez mais como reguladoras do sistema, provendo mais energia quando não houver vento ou sol.

Valor Econômico – Daniel Ritter (Repórter do Valor Econômico)

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https://valor.globo.com/brasil/noticia/2021/03/22/mudanca-climatica-cria-novos-dilemas-no-sistema-eletrico.ghtml