O artigo debate os possíveis efeitos da guerra Rússia-Ucrânia sob a transição energética. Para tanto, Leslie Hooke e Neil Hume trazem as opiniões de diversos especialistas e mostram que não existe um consenso em torno do posicionamento de que o conflito deverá acelerar a transição. Os autores também direcionam a discussão questionando se, no cenário atual, a aceleração da entrada das energias limpas pode se dar com a rapidez suficiente para permitir ao mundo atingir suas metas climáticas, e se a instabilidade econômica da guerra acabará se mostrando mais um contratempo de longo prazo que um incentivo para a transição energética. Dentre os especialistas ouvidos pelos autores estão Alok Sharma (presidente da COP26), Dieter Helm (professor de políticas energéticas na Universidade de Oxford), Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia) e Jim Grech, executivo-chefe da Peabody Energy, que reafirmam a incerteza do momento. Alguns se mostram otimistas, afirmando que a guerra deu um senso de urgência à tarefa de abandonar os combustíveis fósseis, enquanto outros afirmam que o conflito significa que a necessária cooperação global sobre as mudanças climáticas ficará ainda mais difícil. Para estes últimos, mesmo que a guerra na Ucrânia seja apenas uma dificuldade momentânea, ela já ameaça um cronograma extremamente apertado para se chegar ao “zero líquido”

Valor Econômico – Leslie Hook e Neil Hume (correspondentes do Financial Times)Link de acesso:

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2022/03/22/guerra-deixa-a-transicao-energetica-mais-distante.ghtml