O artigo debate as implicações geopolíticas que poderão acompanhar o processo de transformação energética e aceleração da descarbonização das matrizes de energia. Para entender as condições atuais e o escopo das transformações que deverão ocorrer para alcançar as metas de descarbonização, o autor parte de uma revisão da importância dos combustíveis fósseis nos dias de hoje e analisa os principais elementos da geopolítica do petróleo. Fazendo uso de bons dados e projeções de instituições renomadas, o autor sustenta que a era do petróleo ainda não acabou e ainda demorará algumas décadas para acabar. Para ele, a crise climática e os conflitos que desestabilizam o mercado de petróleo favorecem a aceleração dessa transição, mas as renováveis ainda têm um longo caminho a trilhar em função do problema da sua intermitência. Outro desafio da transição é a infraestrutura de energia existente que atende os combustíveis fósseis hoje. Trata-se de uma infraestrutura cara, ainda não amortizada, que precisará ser substituída e que, na maioria dos casos, está vinculada a regulação ou termos contratuais de longo prazo. O texto também explicita, de forma didática, qual poderá ser a nova arquitetura geopolítica de um mundo dominado por energias renováveis. Os vencedores devem ser os líderes no desenvolvimento das novas tecnologias associadas à geração renovável, descarbonização e suas cadeias produtivas, que poderão liderar a inovação e, assim, difundir o uso de seus produtos impondo barreiras à entrada dos demais. O acesso e controle aos minerais críticos necessários para a fabricação dessas novas tecnologias também será um fator decisivo, sobretudo considerando que tais recursos estão concentrados em poucos países.

Ensaio energéticoWilliam Clavijo Vitto (Doutor em Políticas Públicas, Estratégias e desenvolvimento e pesquisador do Grupo de Economia da Energia (GEE/UFRJ))

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