No artigo Renewable-energy development in a net-zero world: Land, permits, and grids, explora-se várias das maiores restrições que os desenvolvedores de energia eólica e solar enfrentam em sua busca por extensões de terra e como eles podem se preparar para essas batalhas terrestres cada vez mais intensas. Os parques solares e eólicos em escala de serviço público exigem pelo menos dez vezes mais espaço por unidade de energia do que as usinas a carvão ou a gás natural, incluindo a terra usada para produzir e transportar os combustíveis fósseis. Assim sendo, os desenvolvedores de projetos precisam identificar continuamente novos locais com velocidade cada vez maior em um contexto de escassez de disponibilidade de terrenos adequados. Uma análise feita pelos autores sobre terras disponíveis para o desenvolvimento de energias renováveis em alguns países, como Alemanha, França e Estados Unidos, explicita alguns fatores que  afetam a disponibilidade de terra: a regulamentação relacionada à distância entre as turbinas eólicas e os assentamentos humanos, seguida por preocupações com a biodiversidade e os habitats dos animais; o aumento dos preços da terra por conta da demanda por áreas adequadas para essas instalações; o processo e o tempo necessário para receber as licenças para desenvolver os terrenos; e, o aumento do congestionamento da rede, já que, em muitos países, a terra mais disponível e adequada não está localizada perto da densa população, centros comerciais e industriais, além da falta de ativos flexíveis em todo o sistema. Por exemplo, na Alemanha 51% das terras são potencialmente adequadas para parques eólicos, contudo apenas 9% permanecem disponíveis após considerar as restrições regulatórias, ambientais e técnicas. 

Como leitura complementar, sugerimos a publicação It’s got nasty’: the battle to build the US’s biggest solar power farm do The Guardian, que recentemente explicitou que a perspectiva de projetos de energia solar nos EUA vem provocando desconforto entre os agricultores. Um empreendimento solar de US$ 1,5 bilhão chamado Mammoth, que deve abranger uma área quase tão grande quanto Manhattan, recebeu opositores que acreditam que estão desafiando um ataque flagrante às tradições agrícolas. Uma moradora da região mobilizou sua riqueza para financiar uma enxurrada de ações judiciais, liderou um grupo de pressão e gastou US$ 3 milhões comprando novos terrenos, incluindo um cemitério, nas margens do projeto.

McKinsey & Company – Nadia Christakou, Florian Heineke, Nadine Janecke, Holger Klärner, Florian Kühn, Humayun Tai, Raffael Winter

Link de acesso:

https://www.mckinsey.com/industries/electric-power-and-natural-gas/our-insights/renewable-energy-development-in-a-net-zero-world-land-permits-and-grids