Este artigo discorre sobre o papel da bandeira tarifária na minimização dos efeitos negativos da redução dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas e apresenta as perspectivas para cobrança desse custo adicional no ano de 2022. A bandeira de escassez hídrica foi instituída em 2021 devido à crise hídrica, momento em que os reservatórios do SE/CO chegaram a operar com apenas 20% da capacidade. Os últimos meses de 2021 e início de 2022, no entanto, foram marcados por um bom regime de chuvas e pelo consequente aumento dos níveis dos reservatórios, o que levou o governo a anunciar, em abril, o fim da bandeira de escassez hídrica e a adoção da bandeira verde, com duração até final do ano. Tal decisão foi balizada pela análise do atendimento energético do SIN realizada pelo ONS, análise esta que é explorada no artigo e que aponta um cenário energético positivo para 2022, onde não haverá a necessidade de acionamento de termelétricas com CVU acima do custo marginal de operação. Ao final, o artigo destaca que as bandeiras tarifárias funcionam apenas como um mecanismo de ajuste de curto prazo. Assim, a solução para minimizar crises energéticas deve considerar o longo prazo e medidas estruturais, como a diversificação da matriz elétrica, com priorização de fontes renováveis, sobretudo a GD, além de investimentos em eficiência energética e transmissão.

Link de acesso:

https://fgvenergia.fgv.br/sites/fgvenergia.fgv.br/files/opiniao_cobranca_escassez_hidrica_abr_22_v2_0.pdf