Neste artigo, Edmar De Almeida discute o fato das autoridades bolivianas terem anunciado um novo contrato de venda de gás para a Argentina, desviando o gás contratado pelo Brasil. Segundo o autor, o motivo para tanto seria o escalonamento dos preços atuais de gás natural, que estaria levando o governo boliviano a buscar melhores ofertas, mesmo para o gás já contratado. O autor defende que este é mais um episódio de desrespeito aos tratados internacionais no comércio de gás no Cone Sul. Segundo ele, esta operação tem potencial de trazer grandes prejuízos para a Petrobras, que é detentora de um contrato de longo prazo (até 2026) de importação de 20 milhões de metros cúbicos por dia (Mm³/dia). A Petrobras deixou claro que vê a redução das entregas de gás para o Brasil como uma atitude unilateral da YPFB em descumprimento do acordado no contrato. Por sua vez, os bolivianos alegam que estão cumprindo o contrato, uma vez que as multas contratuais associadas à redução das entregas de gás serão pagas. Diante do cenário o autor discute os aspectos contratual e político como duas dimensões relevantes no problema, destacando que a ação tende a levar a um desgaste relacional entre as partes e representa uma ruptura dos princípios políticos da relação Bolívia-Brasil no mercado de gás. O autor também critica o silêncio do governo brasileiro sobre o assunto e comenta consequências do comportamento oportunista dos dois lados.

Brasil Energia – Edmar De Almeida (professor do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisador do IEPUC)

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https://editorabrasilenergia.com.br/causas-e-consequencias-da-venda-de-gas-boliviano-contratado-pelo-brasil-a-argentina/