O artigo analisa o contexto posterior à crise financeira de 2008 e as crises de abastecimento de insumos que têm se espalhado pelo mundo (entre eles, o gás natural) para discutir se o sistema de produção global está enfrentando uma crise mais profunda e quais intervenções nas cadeias de suprimentos deveriam ser feitas para evitar tantos danos. Segundo Coyle, antes da crise de 2008, a suposição era a de que mercados integrados e descentralizados proporcionariam uma resistência adequada, seja diversificando os riscos financeiros ou assegurando a diversidade de fontes de suprimentos. No setor de energia, por exemplo, a autora mostra que houve um movimento de afastamento da autossuficiência nacional rumo a uma dependência em relação aos mercados internacionais. Ela cita, como exemplo, o processo de liberalização do mercado de gás da União Europeia e afirma que, muitas vezes, a diversificação do suprimento resultante da liberalização é ilusória e que, na verdade, esse processo de integração favorece choques de oferta e abastecimento, como experimentados atualmente. Para combater a volatilidade de preços, a falta de resiliência e evitar maiores danos, a autora aponta, entre outros, a introdução de alguma margem de folga no sistema, a disponibilidade pública de informações detalhadas sobre os fluxos de produtos nas cadeias de abastecimento globais, e, no curto prazo, a necessidade de intervenção estabilizadora dos governos. 

Valor Econômico – Diane Coyle (professora na Universidade de Cambridge) 

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https://valor.globo.com/opiniao/coluna/a-vinganca-das-cadeias-de-suprimentos.ghtml