Em resposta à pandemia da covid-19 e à crise econômica que se seguiu, os governos em todo o mundo mobilizaram uma quantidade sem precedentes de apoio fiscal com o objetivo de estabilizar e reconstruir suas economias. Nesse âmbito, muitos países identificaram medidas de incentivo à energia limpa como uma prioridade dentro de suas medidas de apoio fiscal. Dado esse contexto, o relatório Government Energy Spending Tracker, antigo Sustainable Recovery Tracker, constitui um documento fundamental para acompanhar esse debate na medida em que fornece atualizações periódicas sobre as últimas políticas aprovadas e suas contribuições fiscais para a energia. Essa edição contabiliza tais gastos desde abril de 2020 até o final de outubro de 2022 e coloca em foco o apoio ao investimento em energia limpa e as medidas de acessibilidade de energia de curto prazo introduzidas pelos governos. Isso inclui cerca de 1.600 políticas governamentais relacionadas à energia e programas de gastos de 67 países. Além do documento principal, é disponibilizado o banco de dados de políticas, uma ferramenta interativa que possibilita o usuário acessar dados por país e região. 

Dentre as principais conclusões do relatório, destacam-se as seguintes: 1. Desde o início da pandemia da covid-19, os governos investiram US$ 1.215 bilhões em apoio a energia limpa, bem mais do que o dobro dos compromissos financeiros assumidos com medidas de recuperação verde após a crise financeira de 2007-2008; 2. As economias avançadas destinaram quase US$ 1.145 bilhões – cerca de 95% do valor global – com os Estados Unidos respondendo por quase metade desse total, seguidos pela União Europeia (37%); 3. A maior parcela do apoio ao investimento é destinada à eletricidade de baixo carbono (US$ 290 bilhões), seguida de transporte coletivo e alternativo (US$ 256 bilhões, com quase metade disso indo para trens de alta velocidade) e melhorias de eficiência energética em edifícios e indústrias (US$ 254 bilhões, metade dos quais são dedicados a retrofits). Combustíveis limpos e de baixo carbono e inovação tecnológica (US$ 177 bilhões) vêm a seguir; 4. A crise global de energia tornou a acessibilidade energética o foco principal para os novos gastos governamentais relacionados à energia, que totalizaram quase US$ 630 bilhões, com as economias avançadas representando mais de 80% deste total, sendo a União Europeia mais da metade.

Esse link irá direcionar o leitor para a versão mais recente do Government Energy Spending Tracker.

International Energy Agency (IEA)

Link de acesso:

https://www.iea.org/reports/government-energy-spending-tracker-2

 

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