Diante da divulgação pelo ONS dos cenários que revelam que o nível dos reservatórios das hidrelétricas deverá permitir o pleno atendimento da demanda  nos próximos seis meses, Clarice Ferraz mostra que, por trás desta aparente tranquilidade, o setor elétrico brasileiro continua em crise e que a reserva acumulada pelos reservatórios não deverá trazer alívio para o bolso dos brasileiros. Ao longo de sua análise, Clarice recorda, primeiramente, algumas medidas que o atual governo realizou e que levaram à ampliação da participação da geração térmica inflexível de origem fóssil no setor elétrico, o que nos torna cada vez mais dependentes do gás natural e do gás natural liquefeito (GNL) importado, uma fonte mais cara, exposta ao preço internacional, em um mercado extremamente tensionado por um contexto de guerra sem previsão de resolução. Ainda no que se refere às pressões tarifárias recentes, a autora ressalta que, em 2022, os aumentos médios na tarifa de eletricidade já atingiram 11,35% e que a situação teria sido pior se o governo, em pleno ano eleitoral, não tivesse adotado alguns subterfúgios que impediram reajustes ainda maiores. 

Quanto ao futuro, a autora mostra que a partir de 2023, além da pressão inflacionária provocada pela geração termelétrica, a tarifa será impactada não apenas pelo pagamento dos empréstimos bancários feitos para diluir o aumento dos custos mas também pelos efeitos da descotização da eletricidade barata da Eletrobras, acompanhada dos “jabutis” associados à sua privatização, e pelo aumento da CDE. Segundo a autora, “esses reajustes deverão perdurar por muito tempo. Um triste legado que todos nós herdaremos”.

Valor Econômico – Clarice Ferraz (diretora do Instituto Ilumina e professora da UFRJ)

Link de acesso:

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/o-lado-b-dos-dados-positivos-do-ons.ghtml

 

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