Esse artigo apresenta uma grave denúncia sobre o desenvolvimento dos parques eólicos no Rio Grande do Norte, mais especificamente na região de Seridó, sertão potiguar, onde vivem mais de 310 mil pessoas e onde existe um tesouro da biodiversidade e história natural do Brasil. A reportagem evidencia a degradação ambiental da região formada por serras que abrigam dezenas de sítios arqueológicos, nascentes de rios e santuários ecológicos em plena caatinga. Inicialmente, é apresentada a realidade dos moradores do vilarejo de Recanto, distrito de Cerro Corá, cujas casas e vivências foram impactadas pela instalação do complexo eólico Santa Rosa Mundo Novo, do grupo empresarial português EDP Renewable, há um quilômetro do povoado. Em seguida, é destacada a relevância das áreas de serra para o equilíbrio ambiental e para a economia da região. Ressalta-se que, apesar da região do Seridó ter sido homologada como Geoparque pela Unesco em abril de 2022 (o que garantiria a realização de ações de proteção ambiental e preservação das características geográficas), isso não foi suficiente para frear o desmatamento causado pela instalação das eólicas. Revela-se ainda que um dos grandes problemas é que, devido à instalação dos empreendimentos gerar energia limpa, a grande maioria das empresas são habilitadas a apresentar o Relatório Ambiental Simplificado (RAS), e isso resulta em danos ambientais irreversíveis. Nesse contexto, é dada ênfase ao movimento Seridó Vivo, criado para tentar preservar as características naturais que fazem do lugar um paraíso cultural e natural.
Marco Zero – Giovanna Carneiro
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