A reportagem especial traz um compilado das discussões envolvendo o Brasil no âmbito energético durante a COP 27, destacando de início que o país se dividiu entre a representação do governo Bolsonaro, a do governo Lula (que assumi a presidência após algumas semanas) e o espaço criado por entidades que foram ignoradas nos últimos anos. Destaca-se a relevância do posicionamento do presidente eleito, Lula da Silva, que disse que o Brasil fará uma guinada na área ambiental, o que foi muito bem recebido por representantes estrangeiros e pelo setor privado. O artigo traz também falas de Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, e do secretário-geral da ONU, António Guterres, durante o evento. Além disso, a reportagem apresenta as perspectivas de Élbia Gannoum (Abeeólica), Mariana Fieri (2W) e Luiz Carlos Ciocchi (ONS) a partir do que foi discutido no encontro. 

Ao longo da reportagem são destacados três pontos principais em relação à atuação do Brasil: a estratégia da Petrobrás, a defesa da transição justa e o papel do mercado de carbono. Em relação aos dois primeiros, muito se discutiu sobre o papel do gás natural como combustível de transição e o papel da Petrobras como protagonista da transição. Para tanto, foram trazidas as opiniões de Ricardo Baitelo, gerente do Iema, do senador Jean Paul Prates (PT-RN), do deputado federal eleito Pedro Campos (PSB-PE) e de André Luís Ferreira, diretor-presidente do Iema. Em relação ao mercado de carbono, destacou-se a presença do setor industrial brasileiro no encontro, representado pela Confederação Nacional da Indústria, e que levou para a COP uma agenda voltada para a criação do mercado global de carbono, a destinação de recursos para financiamento climático e a adaptação à mudança do clima. O artigo traz ainda a perspectiva de Flávia Teixeira, gerente da Engie. Ela lembrou que ainda não há um mercado regulado de carbono no Brasil, mas que o país tem um mercado voluntário pujante. Frisou também que o Brasil registrou US$ 230 bilhões em projetos no MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) a partir de 2003 e que havia a promessa desses certificados serem comercializados na Europa, o que ainda não ocorreu dada a indefinição sobre como se dará a transição dos projetos do MDL para o MDS (novo mecanismo estabelecido pelo Acordo de Paris coerente com as NDC’s de cada país).  

CanalEnergia – Sueli Montenegro (repórter do CanalEnergia)

Link de acesso:

https://canalenergia.com.br/especiais/53230192/com-representacao-dividida-brasil-discute-energia-na-cop27

 

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