Dentre todas as publicações coletadas no segundo período de maio, selecionamos 8 novos textos para acrescentar ao nosso acervo de Artigos Autorais. Deste total, 1 já foi escolhido para compor os destaques principais do período e 3 são apresentados aqui como destaques desta categoria.

Os principais temas dos textos selecionados são: Regulação, Sustentabilidade, Investimentos e financiamento e Energias não renováveis. Dentre os subtemas mais relevantes, identificamos os seguintes: o orçamento recorde da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em 2022; o ritmo da  eletrificação da frota de veículos brasileira; o PL 414, que trata do comercializador varejista e visa ampliar o acesso ao mercado livre de energia elétrica no Brasil; uma visão crítica sobre a política corporativa ESG; o PDL 94/2022, que pretende sustar o reajuste tarifário da Enel Ceará; o debate sobre o papel do Estado no setor energético;  mitigação de emissões de metano no setor de exploração e produção de petróleo e gás natural; e, os esforços mundiais para combater as mudanças climáticas.

  Recomendamos especialmente neste período a publicação O Retardo da Eletrificação da Frota de Veículos no Brasil, de autoria de Duque Dutra (professor da UFRJ) e Fernando Antônio Giordano (engenheiro elétrico). Este é o primeiro artigo de uma série que irá compor uma análise sobre o ritmo da eletrificação da frota de veículos brasileira. Nesta primeira publicação, os autores abordam os desafios e os cenários previstos para o crescimento das vendas de veículos elétricos no país. Os autores evidenciam o atraso (em relação aos mercados mais avançados) na eletrificação da frota nacional e apontam algumas justificativas para essa lentidão. Segundo projeções apresentadas pelo estudo, o arranque do ritmo da transformação da frota brasileira deverá ocorrer entre 2030 e 2035.

A segunda publicação especialmente recomendada é o artigo Setor está pronto para o consumidor varejista, uma reportagem especial conduzida por Theo de Souza (Brasil Energia). A reportagem discute o Projeto de Lei 414, em tramitação na Câmara e que tem como principal atributo a ampliação do acesso ao mercado livre de eletricidade. São trazidas à discussão as opiniões de Rodrigo Ferreira (presidente da Abraceel), Marcelo Loureiro (conselheiro da CCEE), e Marco Aurélio Madureira (presidente da Abradee), que discutem as expectativas de mudanças no setor devido a aprovação da PL 414, a projeção de fluxo de migração de consumidores, a questão dos contratos legados e a operacionalização do comercializador varejista.

Por último, a terceira publicação é o artigo O metaverso do ESG, de autoria de Mario Monzoni e Fernanda Carreira (Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV). O artigo propõe uma reflexão crítica para que o ESG (Environmental, Social and Governance) seja, de fato, uma realidade capaz de dar uma resposta efetiva aos grandes desafios socioambientais dos nossos tempos. Nesse sentido, os autores evidenciam que para o ESG ser incorporado verdadeiramente na estratégia empresarial é necessário uma mudança de paradigma e da lógica de fazer negócios, contemplando ao menos quatro aspectos: (1) olhar para a economia a partir da perspectiva da Economia Ecológica; (2) engajamento com as questões sociais urgentes; (3) questionar a expansão do consumo e do crescimento econômico como sinônimos de desenvolvimento; e, (4) explorar alternativas sistêmicas para a sociedade, como o decrescimento, bem viver, ecofeminismo, desglobalização, direitos da Mãe Terra.

Dentre os demais artigos autorais, recomendamos também algumas boas análises e reportagens publicadas nos principais portais eletrônicos nacionais e internacionais.  Eduardo Jordão, Natasha Salinas, Patrícia Regina Pinheiro Sampaio e Beatriz Scamilla (FGV Direito Rio), por exemplo, discutem o PDL 94/2022, que pretende sustar o reajuste tarifário da Enel Ceará para 2022, indo contra um ato normativo da Aneel. O texto também repercute os resultados de uma pesquisa realizada pela FGV Direito Rio, que levantou dados relativos a esse tipo de controle em agências regulatórias, fazendo uma análise qualitativa dos PDLs coletados. Duque Dutra (UFRJ), por sua vez, debate o papel do Estado no setor energético e enfatiza a necessidade da reconstrução dos seus meios e das suas competências. Por fim, Felipe Botelho Tavares (IBP) e Luis Eduardo Esteves (ANP), escrevem um ótimo artigo sobre a mitigação de emissões de metano, destacando as principais perspectivas, desafios e oportunidades associadas às atividades de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás natural.