No que se refere às publicações acadêmicas do segundo período de abril de 2022, foram selecionados 6 novos artigos de jornais e revistas científicas de grande relevância, sendo 1 da revista Energy, 1 da Renewable Energy, 1 da Energy & Environment Science, 1 da Energy Science & Engineering e 2 da revista Renewable and Sustainable Energy Reviews.

Dentre os trabalhos selecionados para esta categoria, os principais subtemas abordados foram: 1 – o impacto da adoção do PLD horário no valor de projetos de energia renovável; 2 – a avaliação do ciclo de vida da produção de hidrogênio; 3 – uma revisão do estado da arte da tecnologia de captura de carbono direta do ar (DAC); 4 – uma avaliação do ciclo de vida da geração de eletricidade na China; 5 – a aceitabilidade de biocombustíveis na Europa; e, 6 – o avanço das tecnologias de emissão negativa.

Recomendamos em especial a leitura de 2 artigos desta categoria neste período. O primeiro é The impact of hourly pricing for renewable generation projects in Brazil, publicado no editorial 189 da Renewable Energy. Trata-se de um artigo muito importante porque é o primeiro estudo a fazer uma análise do impacto da adoção do PLD horário no valor intrínseco dos projetos de geração renovável. Ele também discute como a precificação horária impacta na alocação de riscos que existem no setor elétrico quando os preços e custos não estão tão próximos e contribui para a definição de estratégias comerciais. Essas discussões são abordadas através de uma avaliação do impacto no valor intrínseco dos projetos de energia eólica e solar com a adoção do PLD horário em comparação com o PLD semanal antigo. O artigo ainda modela uma usina eólica e uma solar genéricas e hipotéticas a partir de dados reais para representar o impacto no setor elétrico brasileiro da forma mais fiel possível. Como resultado principal destaca-se que, nos projetos eólicos, a adoção do PLD horário gera impacto negativo em seus valores enquanto nas usinas solares os resultados são positivos. O artigo ainda traz algumas recomendações de política energética para que o preço horário não se torne uma barreira para a expansão dos projetos eólicos.

Outro importante artigo recomendado é An assessment study on various clean hydrogen production methods, publicado no editorial 245 da Energy. Neste estudo foi realizada uma avaliação de ciclo de vida de uma instalação piloto de produção de hidrogênio com capacidade de 200 kg H2/dia em Oshawa, Ontário, e de ônibus elétrico a célula combustível. Supõe-se que a instalação seja construída na Ontario Tech University, e o hidrogênio produzido seja transportado para a garagem do ônibus a aproximadamente 100 km de distância. Utilizou-se como fontes de energia para a produção de hidrogênio misturas de energia nuclear e renováveis (solar, eólica e hídrica) semelhantes à infraestrutura de energia de Ontário. Além disso, foram utilizadas como rotas tecnológicas de produção do hidrogênio a eletrólise de membrana de troca de prótons, eletrólise alcalina e o ciclo Cu-Cl. Esses cenários foram comparados por meio do cálculo dos valores de emissão que ocorrerão quando o hidrogênio produzido for armazenado sob baixa pressão, transportado até o posto de abastecimento de hidrogênio e utilizado pelos ônibus elétricos a células combustível. Como principal resultado, o artigo evidencia o menor dano ao meio ambiente causado pela utilização da tecnologia ciclo Cu-Cl e, como esperado, menor impacto ambiental da utilização de ônibus elétrico a célula combustível quando comparado a utilização de ônibus a diesel.