Neste primeiro período de maio de 2022 estamos recomendando a leitura de 7 novos trabalhos na categoria Agências. Deste total, indicamos dois trabalhos como destaque desta categoria.

O conjunto dos trabalhos selecionados trata principalmente dos temas Transição energética, Mercados energéticos, Renováveis, Tecnologia e inovação e Regulação Internacional. Os subtemas mais relevantes são: experiências e melhores práticas da inserção de Recursos Energéticos Distribuídos (REDs); problemas enfrentados pelas redes de transmissão e distribuição de eletricidade em meio aos desafios da descarbonização; custo da transição do carvão para renováveis e do carvão para gás natural; perspectivas de adições globais de capacidade de energia renovável e demanda de biocombustíveis para 2022 e 2023; produção e consumo de hidrogênio em refinarias no Brasil; impacto potencial do Artigo 6 do Acordo de Paris para os investidores; e, a orientação da Comissão Europeia para os compradores do gás russo.

O primeiro destaque desta categoria é Redes de energia na era da transição energética (tradução livre), da Oxford Energy. Em meio aos desafios da transição energética e da descarbonização, sabe-se que as diferentes redes de energia têm papel extremamente importante dada a complementariedade entre elas e a modernização e adaptação pelas quais devem passar. Nesse contexto, esse excelente artigo explora alguns dos principais problemas que serão enfrentados pelas redes de transmissão e distribuição de eletricidade; redes de gás natural; e futuras redes de hidrogênio, aquecimento e refrigeração. Considerando que os sistemas energéticos futuros provavelmente terão maior interação, o artigo explora quais são os caminhos para maximizar as sinergias entre as diversas redes de energia e como a operação integrada delas pode ser decisiva na redução de custos e o enfrentando dos desafios da descarbonização.

A segunda leitura especialmente recomendada nessa categoria é a publicação Troca de Combustível 2.0: Índice de Preço do Carbono de Carvão para Eletricidade Limpa (tradução livre) do TransitionZero. A publicação é bastante interessante e pertinente porque questiona criticamente a tese de que o gás natural seria o combustível ideal da transição energética. Com efeito, a análise mostra que, para economias dependentes de carvão, já é mais interessante e econômico fazer a transição diretamente do carvão para a energia renovável sem passar pelo gás natural. Para chegar a essa conclusão os autores levaram em consideração a evolução dos preços das tecnologias renováveis recentemente e mostram  que o preço do carbono necessário para se mudar do carvão para o gás atingiu a média de US$ 235/tCO2 em 2022, enquanto o preço do carbono necessário para se mudar do carvão diretamente para a energia solar fotovoltaica ou eólica onshore mais armazenamento de bateria foi de apenas – US$ 62/tCO2. Além da queda dos custos das energias renováveis e do armazenamento de baterias, a crescente volatilidade dos preços do gás seria outro fator a determinar a viabilidade e a rentabilidade mais elevada da transição direta para as renováveis.