As diferentes dimensões que caracterizam a pobreza energética podem ser avaliadas por um Índice de Pobreza Energética Multidimensional (MEPI). Este estudo adapta e calcula o MEPI para o Brasil, o que contribui para entender a evolução da incidência e intensidade da pobreza energética no país. Usando três dimensões diferentes de energia – acesso físico, propriedade de eletrodomésticos e acessibilidade – o MEPI é calculado para o período de 2002–2018. Os resultados mostram que, apesar de uma melhoria significativa no acesso a combustível de energia moderna e nas taxas de propriedade de alguns eletrodomésticos, o Brasil ainda mostra uma prevalência significativa de pobreza energética. Os problemas relacionados com a acessibilidade não foram amplamente resolvidos, e hoje em dia continua a ser o principal problema: 11% dos agregados familiares ainda vivem em condições de pobreza energética, sendo que nas zonas rurais esse número chega a 16%. Levando em consideração a heterogeneidade social e geográfica do Brasil, o artigo caracteriza a pobreza energética em diferentes regiões e grupos socioeconômicos. Os resultados mostram que as áreas isoladas da região norte são as que mais carecem de serviços de energia. Os autores ainda destacam a desigualdade de renda relacionada às condições de pobreza energética e concluem que as famílias não pobres em energia tendem a ter uma renda pelo menos duas vezes maior do que as famílias consideradas pobres em energia.

Energy Policy, Vol. 171 – Paula Bezerra, Talita Cruz, Antonella Mazzone, André F.P. Lucena, Enrica De Cian, Roberto Schaeffer

Link de acesso:

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0301421522004876

 

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